28 jul
Quer ser bem atendido durante o voo e receber orientação correta em caso de emergência? Chame o comissário. “Nossa missão é fazer com que o avião pouse em total segurança”, explica Débora Amorim, 24 anos, assistente de coordenação do Centro Educacional da Aviação do Brasil e comissária há sete anos.
Quando terminou o Ensino Médio, Débora tinha dúvidas em relação a que profissão seguir, então, resolveu fazer o curso. “Como são apenas quatro meses, é perfeito para quem ainda não entrou na faculdade. Eu me apaixonei pela carreira e cheguei à conclusão de que nasci para voar.” E também para enfrentar situações de estresse. “Uma vez, uma passageira entrou em pânico e queria abrir a porta do avião. Conseguimos acalmá-la.”
Quem quer ser comissário de voo (nome correto do profssional), precisa ter a partir de 18 anos, não pode ser muito baixinho, dominar uma segunda língua, ser saudável (e passar por check ups anuais) e fazer um curso com duração que varia de três a seis meses (saiba mais no quadro) em um centro de formação. Débora conta que uma das primeiras lições que se aprende é que é preciso entender o passageiro, colocar-se no lugar dele. “Também deve ter muita paciência.”
Entre as disciplinas que fazem parte do curso estão conhecimentos gerais, procedimentos de emergência e segurança, primeiros socorros, sobrevivência na selva, sistemas de navegação e voo, meteorologia, geografia, normas e regras nacionais e internacionais de aviação. O aluno ainda tem aulas de etiqueta e postura, relacionamento interpessoal, comunicação e aprende até como arrumar o cabelo e se maquiar.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas, o piso de comissário é de cerca de R$ 1.100 (para 54 horas mensais), sem contar extras e adicionais de fim de semana e feriado. “Um comissário recebe mais de R$ 2.000 por mês”, garante Débora. Para fazer o curso, o investimento é de cerca de R$ 3.000.
Solidão e medo – Conhecer vários países, culturas e pessoas diferentes é o grande apelo da profissão. Por outro lado, quem escolhe voar, não tem rotina, deve estar preparado para dormir em lugares desconhecidos e ficar até seis dias sem voltar para casa.
Nem assim Lysa Loureiro, 18, de Santo André, desistiu do sonho; pelo contrário, ficou animada para seguir a carreira da prima, funcionária de uma grande companhia aérea. “Sempre gostei desse mundo”, diz a garota, que nunca viajou de avião. “Sei que não vou sentir medo e vai ser maravilhoso.” Segundo Lysa, para exercer a profissão, o comissário tem de ter mais do que um belo rosto. “É muita responsabilidade cuidar da segurança das pessoas.”
Confira entrevista com o comissário de voo, Kilsige Cortes, 31 anos (ex aluno do CEAB):
Por que você se intereressou em ser comissário?
Kilsige: Em primeiro lugar, porque eu adoro todo tipo de aeronave. Sou apoixonado por aviões e depois pela possibilidade de viajar, conhecer lugares e pessoas do mundo todo. Tudo isso junto me fez querer ser um profissional nesta área. Além do português, falo inglês, espanhol e francês.
Quantos anos de carreira têm?
Kilsige: Tenho cinco anos na carreira em uma companhia aérea no Oriente Médio. No primeiro ano, trabalhei na classe econômica e depois fui escolhido para a Primeira Classe, onde trabalhei mais três. Fui promovido para chefe de comissários e agora comecei treinamento em outra companhia aérea, mas desta vez, aqui no Brasil. Considero-me um cidadão do mundo. Morei 12 anos consecutivos fora do Brasil em vários países e isso me ajudou.
O que é mais legal e o mais complicado na profissão?
O mais legal é terminar o trabalho e estar em Paris, Frankfurt, Osaka, Madrid, Nova York e Washington (diferentemente de sair do escritório e pegar o mesmo metrô e ônibus todos os dias). O mais complicado é saber relacionar-se com o ser humano. Temos que nos dar muito bem entre nós, tripulantes, já que há a possibilidade de passar vários dias juntos. Porém, quase nunca podemos escolher com quem voar já que isso é decidido pelo departamento de escala da companhia. Também não devemos esquecer que somos de tudo um pouco dentro da aeronave. Seguranças, socorristas, assistentes, psicólogos.O passageiro nem sempre está viajando para curtir férias.
Já passou por alguma saia justa durante os voos? E momento de emergência?
Sim. Um passageiro teve um infarto e morreu durante um voo de 11 horas da China para o Oriente Médio. Tínhamos uma médica a bordo que o declarou morto, mas tivemos de seguir por mais três horas com o cadáver. Enrolamo e acomodamos o corpo em um local seguro para o pouso. Graças a Deus não passei por nenhuma pane.
Já viajou algum passageiro muito chato?
Sim, alguns no extremo de eu chegar a pensar em renunciar o trabalho e voltar pro Brasil correndo.
Já iniciou algum romance?
Nunca, nem com a tripulação nem com passageiros. Mas isso foi a minha história. Muitos de meus colegas conhecerem seus amores em voos e alguns até casaram depois.
Comissário ganha bem?
A princípio sim, mas temos muitas funções abordo e muitissima responsabilidade. O salario é bom comparado com varios outros empregos e cargos de uma Companhia Aerea ou outras carreiras fora do ambiente aeronáutico. Mas dados os prejuizos que sofremos por ficar longe de casa varios dias, riscos do proprio trabalho, fusos horarios, etc.. podia ser um pouco mais. Porém esse é um assunto muito relativo. Eu não reclamo!!
O que é preciso ter para ser um comissário exemplar?
Em primeiríssimo lugar tem que ter disposição, energia e muita vontade de ser um comissário. Ser saudável a ponto de passar nos exames médicos aos quais serão submetidos (aqui no Brasil eu recomendo antes mesmo de fazer o curso de comissário, tirar o CCF – Certificado de Capacidade Física no Hospital da Aeronáutica para saber se realmente pode exercer a função antes de gastar com o curso completo). Logo depois viriam os requisitos de cada companhia aérea em particular como: altura mínima, idiomas, saber nadar. A maioria das companhias publica em seus sites os requisitos. Na minha opinião, inglês fluente é essencial.
Já sentiu algum tipo de preconceito por ser comissário?
Sim. De vez em quando aparece alguém que não respeita, mas são poucos, mas em geral somos respeitados e admirados pelos passageiros.
Onde aprender
Para ser comissário de voo, é preciso ter a partir de 18 anos, Ensino Médio completo e curso de 138 horas/aula em uma escola de instrução aprovada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Depois, tem de prestar prova teórica da Anac para ser avaliado. Apenas alunos de escolas autorizadas podem fazer esse exame. Se aprovado, já pode ser contratado como estagiário de uma empresa aérea.
Durante o estágio, deve cumprir, no mínimo, 27 horas em um avião no solo ou simulador. No ar, precisa voar por mais 15 horas e passar por avaliação final da Anac. Ao ser aprovado, recebe o CHT (Certificado de Habilitação Técnica) e a licença profissional. No site da agência (www.anac.gov.br) há lista de escolas autorizadas.
CEAB (Centro Educacional da Aviação do Brasil) – Rua Artur Azevedo, 132, São Paulo. tel.: 3081-4949.
(Marcela Munhoz e Nayara Fernandes – Diário do Grande ABC)
27 jul
Enquanto países desenvolvidos tentam contornar a fraca procura por passagens aéreas, a aviação no Brasil vem apresentando crescimento vigoroso. E o setor espera mais. De olho no potencial deste mercado, que deve avançar perto de 20% nas rotas domésticas em 2010, as companhias aéreas voltaram a fazer captações, a investir na compra de aeronaves e a lançar rotas. As contratações de tripulantes também aumentaram e empresas que antes se dedicavam exclusivamente à aviação executiva querem alçar voos na comercial.
A confiança das empresas brasileiras de que o setor aéreo só tende a crescer tem incentivado a compra de aeronaves. A TAM, maior companhia aérea do Brasil, inaugurou este movimento em junho ao encomendar 25 aviões da Airbus, em um negócio de quase US$ 3 bilhões, considerando os preços de tabela. As aeronaves, que chegam entre 2014 e 2016, substituirão modelos antigos. Com isso, a frota da TAM fechará 2010 com 148 aviões, contra 132 unidades no ano passado, já considerando os modelos ATRs herdados da Pantanal, comprada no fim de 2009.
Contudo, o presidente do Instituto Cepta e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Respício do Espírito Santo Junior, ressalva que, diferentemente do que vem ocorrendo lá fora, há no Brasil um crescimento real da frota, já que as companhias de menor porte têm adicionado aviões à sua malha. “Esta é uma das comprovações de que as empresas aéreas enxergam um potencial muito grande no mercado doméstico”, opina.
Trip e Azul Linhas Aéreas, por exemplo, surpreenderam nesta semana ao anunciar novas encomendas. No primeiro caso, a compra foi de dois jatos Embraer 190, de 106 lugares, no valor de US$ 80 milhões. Já a Azul aproveitou uma sobra de produção da Embraer para levar mais cinco jatos 195, de 118 assentos, transação que soma US$ 200 milhões a preço de tabela. A empresa já havia pedido outras 76 aeronaves à Embraer. A maior surpresa, no entanto, foi a inclusão de modelos da franco-italiana ATR à frota antes formada exclusivamente por modelos da Embraer. A Azul comprou 40 unidades da fabricante estrangeira, sendo 20 ofertas firmes e 20 opções, em uma transação estimada em US$ 850 milhões.
Para o analista de transportes do banco Santander, Caio Dias, a mudança no plano de frotas da Azul deixa antever a estratégia de privilegiar rotas mais curtas, já que a ligação entre cidades periféricas aos centros onde estão os principais aeroportos tem grande potencial. “A aviação regional vai promover a segunda onda de expansão do setor. E a primeira onda, da popularização do transporte aéreo, ainda está acontecendo”, afirma o profissional. Atenta às perspectivas positivas para a aviação regional, no final de 2009 a TAM, maior companhia aérea do País, anunciou a compra da Pantanal. ATAM avalia, agora, se amplia a frota da subsidiária com modelos da ATR ou da Embraer.
A aviação regional comercial está, inclusive, atraindo novos players. A Laguna, empresa que nasceu como táxi aéreo, quer iniciar em dezembro o transporte regular de passageiros. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já expediu a autorização para a prestação deste serviço. Segundo fontes, a nova aérea regional investirá R$ 70 milhões e terá São José dos Campos (SP) como sede. Sua frota será composta por 48 aeronaves Fokker com capacidades para até 118 e 50 passageiros. A ideia será privilegiar linhas com pouca ou nenhuma concorrência. Serão cerca de 96 destinos em 14 Estados.
O lançamento de voos é outro artifício que vem sendo usado para atender a um crescimento de demanda. Além de frequências para cidades já exploradas, algumas empresas abriram rotas para lugares onde ainda não operavam. A TAM começou a voar para Cabo Frio, no Rio de Janeiro, e iniciará em dezembro suas operações em Bogotá, na Colômbia. O especialista em aviação Paulo Sampaio, da consultoria Multiplan, destaca que a oferta de assentos pelas companhias aéreas deve continuar crescendo, pois além de novas frequências, novos aviões ou serão incorporados às frotas ou substituirão aeronaves menores.
A oferta de assentos por quilômetro voado (ASK, na sigla em inglês), cresceu 19,53% no primeiro semestre, comparativamente a igual intervalo de 2009. Com relação ao movimento nos aeroportos brasileiros, que foi de 27,58% no período, deve ficar na faixa de 20% no segundo semestre, na avaliação de Sampaio. Ele espera que nos próximos três anos este mercado cresça em torno de 18% anualmente.
A melhora “significativa” do cenário, como lembrou o analista do Santander, também incentivou a retomada das captações pelas aéreas. A Gol anunciou neste mês uma oferta de notas seniores, no exterior, no valor aproximado de US$ 400 milhões. Os papéis vencem em 2020 e servirão ao propósito de melhorar o endividamento da empresa, já que cobrirá dívidas que vencerão nos próximos três anos.No final de 2009, a TAM havia colocado US$ 300 milhões em bônus de dez anos.
Com a “casa arrumada” e diante das boas perspectivas de mercado, as empresas voltaram a contratar. Conforme o presidente do Centro Educacional de Aviação do Brasil (CEAB), Salmeron Cardoso Junior, a procura de companhias aéreas por profissionais especializados está em franca expansão. Em sua escola, que forma tripulantes para as aeronaves, houve um incremento de 30% na procura de alunos pelas empresas de aviação no primeiro semestre, comparativamente a igual intervalo de 2009. O executivo espera formar, neste ano, 1.800 comissários, contra 1.500 profissionais no ano anterior. “A NHT Linhas Aéreas (empresa de aviação regional sediada em Porto Alegre) é uma das empresas que está contratando. Com a maturidade do setor e melhora das perspectivas, amparadas pelo maior poder de compra das classes C e D, as empresas tendem a explorar mercados maiores”, avalia.
Gargalos
Apesar do otimismo generalizado para a aviação, analistas alertam que o crescimento do setor tem um limite que não pode ser ignorado: a infraestrutura aeroportuária e o controle de tráfego aéreo. “Quem determinará o limite não será a demanda, e sim a infraestrutura”, destaca Caio Dias, do Santander. Se a demanda continuar crescendo e os problemas estruturais não forem solucionados, no médio e longo prazos o preço das passagens terá de ser elevado, constata Dias. Por ora, ele acha que 2010 fechará com estabilidade nos preços ante 2009, de R$ 0,20, em média, pago por quilômetro voado.
Na opinião de Respício do Espírito Santo Junior, do Instituto Cepta e UFRJ, não adianta as empresas ampliarem suas frotas e o governo abrir a possibilidade de mais capital estrangeiro nas aéreas (está para ser aprovada a ampliação de 20% para 49% destes investidores), se não há aeroportos e espaço aéreo. “Este é um problema que deve ser resolvido pelo governo. O crescimento do mercado poderia ser bem maior”, afirma.
Na avaliação de Paulo Sampaio, da Multiplan, o governo precisa fazer valer as projeções “generosas” traçadas para o mercado de aviação. “Se tivemos, do lado dos empresários, encomendas tão grandes de aviões para garantir um aumento da demanda, precisamos de pesados investimentos do governo em aeroportos e controle do tráfego aéreo”, diz.
(Michelly Chaves Teixeira – Grupo Estado)
Fonte: Grupo Estado
19 dez
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11 nov
Desde ontem, muito se comenta sobre os números divulgados pela Anac, a Agência Nacional de Aviação Civil. De acordo com o órgão, em outubro, a demanda por voos domésticos cresceu 42% comparada ao mesmo mês de 2008, ou seja, temos aí um forte sinal de que a crise está mesmo ficando mesmo para trás. Pelo menos no setor aéreo. Os números de setembro já haviam sido bons – com um crescimento de quase 30% – e a tendência é de que os próximos meses apresentem também excelentes resultados.
Especialistas comentam o caso. “Novembro e dezembro devem registrar altas acima de 30%. Sobretudo no caso de dezembro, que tem uma base de comparação muito baixa, pode chegar a 45%”, diz Paulo Bittencourt Sampaio, diretor da Multiplan Consultores Aeronáuticos, para a Agência Estado. Ainda sobre o novo momento vivido pela aviação civil brasileira, o presidente do CEAB, Salmeron Carsoso Jr, complementa: ” Temos pela frente uma sucessão de fatos positivos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas, previstas para 2016. Essa é a hora certa para quem deseja ingressar em uma verdadeira carreira promissora”, diz.
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5 out
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3 out
Priscila Cardoso, comissária há 5 anos, foi questionada pelo jornalista Mauro Naves: como o corpo reage depois de horas ininterruptas de vôo?
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9 set