Conforme sua localização, um boteco de esquina pode tornar seu ma grande atração. Adjacentes a instituições de ensino, repartições públicas, ou logradouros badalados,acolhem públicos diferenciados para uma happy hour animada, a preços populares. São os famosos “pés sujos”cariocas, em que se entra com os pés cheios de areia, ou os “amarelinhos”paulistanos, assim chamados sabe-selá porquê. Dando um rasante num deles, na esquina das ruas Arthur de Azevedo e Oscar Freire, em Pinheiros,tem-se a impressão de estar entrando no saguão de um aeroporto, o garçom servindo no balcão de checkin.Tal é a quantidade de aeromoças e comissários que ali fazem escala,entre pousos e decolagens de seu horário letivo, de segunda e sexta ao entardecer e, aos sábados, na hora do almoço. Elegantes, uniformizadas, e devidamente maquiadas, preparando-se para receber os passageiros com um sorriso reconfortante, muitas dessas jovens,com o irrefreável desejo de voar,jamais entraram num avião.

São estudantes, dando duro em busca deum sonho, queimando as pestanas ressaltadas pelo rímel, na CEAB Escolade Aviação, do outro lado da rua.”Quando olho um avião, tenho vontade de estar lá, um anseio de liberdade, um desafio me cutucando”,sorri Caroline Oliveira da Silva, 18anos de idade. “A idéia de trabalhar abordo me atrai, aprender a lidar comas pessoas em situações adversas, conhecer outros países”, emenda Valdelice Celestino. Ambas, em seu primeiro dia de aula, vão conhecer o interior virtual de uma aeronave apenas agora, no simulador da escola. Ir às aulas vestidas a caráter faz parte do treinamento. “Assim, elas

“Começam a incorporar a profissão, aprendendo a manter a postura, sem amassar o vestido”, explica Salmeron Cardoso, ex-comissário da Varig. “O mercado de trabalho está em alta; a

TAM, a Ocean Air, a Gol e a Azul vão começar a recrutar, a Emirates já abriu novas vagas”, dá a dica o veterano. Compartilhando do sonho das colegas, o calouro Wendell Fernandes, 18 anos, imagina: “Pelo que vejo, é um trabalho simples, agradável e fácil de realizar”. Mal sabe da turbulência à frente. “Temos um campo de treinamento em Juquetiba, para aulas práticas de sobrevivência na selva, marinharia, primeiros socorros, prevenção e combate a incêndios”, revela Cardoso. Senhores passageiros, façam uma boa viagem!

Fonte: Diário do Comércio