Busca da carreira de comissário de bordo como uma forma de ascensão social foi constatada pelo diretor da Ceab, Salmeron Cardoso

Aos 32 anos, o office-boy André Garrido Caneschi encontrou um plano B para o iminente sumiço de sua categoria, com a crescente proliferação da oferta de serviços dos motoboys. Há menos de um mês, ele se matriculou no curso preparatório de comissários do Centro Educacional de Aviação do Brasil (Ceab).

“O que me incentivou foi o bom salário, mas é claro que a carreira de comissário também é atraente, com a possibilidade de conhecer lugares diferentes”, diz o futuro “aeromoço”, termo que ele mesmo usa para brincar com familiares e amigos.

Seu atual salário mensal é de cerca de R$ 700, mas ele engorda seus rendimentos com mais R$ 200, pois vende seus tíquetes de refeição. Quando se tornar comissário, André estima que o salário inicial será de R$ 2,5 mil.

“A vida não está fácil para ninguém, mas com o meu salário de comissário vou começar uma vida melhor”, diz ele, que nunca viajou de avião. “Se der medo é só sorrir que vai ficar tudo bem”, responde, ao ser questionado como imagina sua primeira experiência nas alturas.

A busca da carreira de comissário de bordo como uma forma de ascensão social foi constatada pelo diretor da Ceab, Salmeron Cardoso. Ele fundou a escola em novembro de 1998, após ter sido comissário da Varig. “Atualmente temos alunos das classes B, C e até D”, diz ele.

Cardoso não acredita que o crescimento do transporte aéreo poderá causar uma falta de comissários. Ele ressalta que se trata de um curso bem mais barato do que o de pilotos, com mensalidade média de R$ 240, e que há um bom contingente de novos profissionais se formando.

No ano passado, a Ceab formou 1,8 mil alunos, sendo 1 mil comissários e 700 atendentes. Para 2010, ele estima um crescimento de 30% no total de alunos formados.

Fonte: Valor Econômico