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Curso antiterror para a Copa de 2014

01/06/2010
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A ameaça da rede terrorista Al-Qaeda promover atentados contra as delegações dos Estados Unidos e de times europeus durante a Copa do Mundo na África do Sul acende um alerta para o Brasil, que será sede da próxima competição. Mesmo sendo um país democrático e sem histórico de terror, companhias aéreas brasileiras e governo já se preparam para a segurança durante o campeonato de 2014.

Em São Paulo, o Centro Educacional de Aviação do Brasil (Ceab) oferece um treinamento antissequestro e contraterrorismo para comissários e pilotos de aeronaves. O objetivo é ensinar como identificar suspeitos e agir em casos graves.

Há duas semanas, uma edição do curso reuniu cerca de 40 comissários - agora chamados de técnicos de segurança de voo - que aprenderam, por exemplo, como evitar que um passageiro desesperado tente entrar no meio de um confronto entre terroristas e tropas, jogando-o no chão para protegê-lo.

"Neste tipo de crise, que exige uma resposta diferenciada e não rotineira do governo, agem tropas de operações especiais, que possuem informações sobre a dinâmica da aeronave e sabem como invadir um avião, minimizando o risco para vítimas", diz o instrutor, que possui formação militar e na área de inteligência, e não pode ser identificado.

Olhos e mãos do suspeito
O especialista recomenda aos comissários prestar sempre atenção aos olhos e às mãos de pessoas que consideram suspeitas e também nunca manusear materiais estranhos encontrados na aeronave. "O limite da bomba é a criatividade do terrorista. Já peguei uma bomba de criminosos que tinha sete dispositivos de acionamento. O agente poderia cair em várias armadilhas."

Uma estatística internacional aponta que, em uma tentativa de resgate, há no mínimo 14% de chance de um refém morrer.

"O terrorista não tem nada a perder. Nunca reaja ou faça algo que possa deixá-lo nervoso", explica o instrutor. Segundo ele, é normal, em casos de sequestro de aviões, os criminosos oferecerem a libertação da tripulação. "Os comissários, na maioria das vezes, se sentem responsáveis pelos passageiros e não saem. Mas é imprescindível que pelo menos um deixe o avião para dar informações à polícia."

Elite da PM simula bomba em avião para treinamento
Preparando-se para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM fez em janeiro um treinamento para conhecer aeronaves.

Apesar da responsabilidade pela ação em aeroportos caber à Polícia Federal, a tropa de elite da Polícia Militar paulista busca estar pronta para oferecer apoio ou atender rapidamente ocorrências de sequestro, terrorismo ou suspeita de bomba em aviões, caso seja necessário.
A simulação do Gate ocorreu em um Fokker 100 da Air France, no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, proporcionando à tropa conhecer a disposição interna da aeronave, vias de acesso e dimensões.

"Foi um laboratório para testarmos se nossos equipamentos são compatíveis à situação e conhecer o tamanho das coisas dentro do avião", diz o comandante do Gate, capitão Adriano Giovaninni.
Segundo o oficial, o treinamento foi focado na ação antibomba, tendo sido empregados dois cães do Canil da PM, responsáveis por uma varredura no Fokker em busca de artefatos suspeitos que haviam sido previamente escondidos pelos policiais militares. Um robô israelense do Gate, usado para desarmar bombas, também foi testado para que a PM verificasse se era viável utilizá-lo dentro de uma aeronave.

Cerca de 20 agentes do Gate participaram do treinamento, que foi realizado enquanto o avião cedido pela companhia aérea estava em manutenção. A tropa prestou ainda atenção às dimensões do compartimento de bagageiro interno do Fokker e ao sistema de energia. Giovaninni explica que, até a Copa de 2014, o grupo repetirá os treinamentos, incluindo simulações de invasões táticas em aeronaves e trens do Metrô e da CPTM.

"O que acontecer na África do Sul neste ano, após as ameaças de ataques, vai mostrar o quanto o Brasil precisa se preparar para 2014. Há quatro anos, ninguém falava em terrorismo na Copa. Agora isso é uma realidade e um temor. Não adianta falar que não vai acontecer nada. É preciso estar pronto para caso aconteça", diz o especialista em criminologia internacional e terrorismo Antonio Gonçalves.

"O objetivo do terrorista é alastrar insegurança e medo na população civil. Não adianta a PF ou a PM agir depois, para remediar.A prevenção é o melhor remédio", diz o advogado.

Três formas de invadir aeronaves
As tropas especiais possuem três formas clássicas de invadir uma aeronave sob poder de terroristas ou sequestradores.
O Delta Force, dos Estados Unidos, costuma infiltrar militares por todas as entradas possíveis do avião, tanto pelas portas quanto pelo porão de carga ou o compartimento inferior.

Já os militares do SAS britânico, assim como os grupos de Forças Especiais de países europeus, buscam, através de negociação, isolar os criminosos em uma das extremidades da aeronave - de preferência a cabine - e invadi-la pela porta traseira, que permite menor visualização interna dos bandidos à ação policial. Outra tática, usada pelo Mossad israelense, é invasão tática pelas portas laterais da aeronave - as entradas de emergência.

No Brasil, o COT (Comando de Operações Táticas) da Polícia Federal foi instruído pelo SAS e também usa como tática a invasão pela porta traseira. Pela legislação do país, aeroportos são consideradas áreas federais e, em caso de sequestro ou terrorismo em aeronaves, caberia ao COT a ação. Contudo, como a tropa da PF fica lotada em Brasília, há a necessidade de as polícias militares estarem preparadas para a ação. "O Brasil é um país continental e a PF não tem efetivo para atuar sempre. Segurança é papel de todos. Não adianta o terror atacar para atuar depois", diz o especialista em terrorismo Antonio Gonçalves.
O sequestro de aeronave mais emblemático ocorreu em dezembro de 1994, quando quatro terroristas do Grupo Armado Islâmico, infiltraram-se em um Airbus da Air France que partia de Argel, na Argélia, com destino a Paris. Portando fuzis AK-47, os criminosos fizeram 150 reféns e coube ao GIGN, tropa especial francesa, invadir o Airbus.

A ação, apesar do sucesso, apresentou falhas, como o deslocamento de uma escada automática que colocou em risco a operação, uso de granadas que confundiram os passageiros e o fato dos militares usarem revólveres, com pouca munição. Todos os criminosos morreram, dois passageiros foram executados e sete integrantes do GIGN foram feridos.

No Brasil, em 1972, um Electra da Varig foi sequestrado pelo militante comunista Grenaldo de Jesus da Silva em Congonhas, São Paulo. Coube ao COE, da PM, invadir e libertar cem passageiros que eram reféns. O sequestrador acabou morto pelo DOI/Codi.

 
Link: http://www.diariosp.com.br/Noticias/Dia-a-dia/6470/Curso+antiterror+para+a+Copa+de+2014
Fonte: Jornal O Diário de São Paulo - Tahiane Stochero
 
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