15 de Dezembro de 2010
As companhias aéreas na América Latina são mais lucrativas do que nunca e suas perspectivas de ganhos continuarão boas, com 62,2 milhões de novos passageiros nos próximos cinco anos, diz a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata). O Brasil representa 50% do setor aéreo na região.
Este ano, o lucro líquido das empresas na região será US$ 200 milhões maior do que o previsto em setembro, devendo alcançar US$ 1,2 bilhão. O crescimento é liderado pelo Brasil, onde a demanda aquecida permite a venda de passagens mais caras. Para 2011, o lucro líquido deve cair para US$ 700 milhões, seguindo a tendência global.
Para o diretor-geral da Iata, Giovanni Bisignani, o resultado das empresas latinas é "desproporcional" considerando a fatia de apenas 4% da região na receita mundial do setor e comparado com o "estado adoentado" de empresas em outras zonas. "O desempenho (das latinas) deveria ser um exemplo para outras", afirmou ele.
A margem operacional das aéreas latino-americanas é de 5,3% este ano, bem maior do que a média mundial "patética" de 2,7%. Para 2011, pode declinar para 3,6%, mas ainda assim será quase três vezes superior à média mundial de 1,5%.
Bisignani considera "ainda mais impressionante" o que está acontecendo na América Latina comparado há uma década, destacando que as companhias criaram marcas transacionais com multi-hubs (aeroportos onde são feitas as distribuições de voos para diversos destinos). A Latam (fusão da TAM com a chilena LAN) é hoje o quinto maior grupo aéreo do mundo.
A entidade prevê 800 milhões de passageiros a mais em 2014, totalizando 3,2 bilhões no mundo. A mudança no fluxo de crescimento para a Ásia e América do Sul vai ser acelerada, graças à expansão da classe média (com renda de US$ 10 a US$ 100 por dia) nessas regiões.
As companhias vão precisar comprar 12 mil novos aviões ao custo de US$ 1,3 trilhão até 2020. Desses, 6.500 aviões vão substituir aparelhos existentes e outros 5.500 serão necessários para atender a demanda crescente.
Na Ásia-Pacífico, a expectativa é de aumento de 360 milhões de passageiros. A Ásia já superou a América do Norte como principal mercado do transporte aéreo.
Na América Latina, o número de passageiros pulará de 122,1 milhões em 2008 para 175,6 milhões em 2014, representando 53,5 milhões a mais em voos internos. Nos voos regionais, serão 9,7 milhões de novos passageiros, totalizando 30,2 milhões nos próximos cinco anos. As cifras são consideradas conservadoras, levando em conta o avanço da classe C no Brasil.
Somente no eixo América Latina-América do Norte, o número de novos passageiros poderá alcançar 17 milhões, totalizando 76 milhões até 2014, conforme projeções da Iata fornecidas ao Valor.
Também muda a destinação do dinheiro no setor aéreo. O valor de mercado das companhias agora é liderada pela Air China, valendo US$ 20 bilhões, seguida por Cingapura Airlines (US$ 14 bilhões), Cathay Pacific (US$ 12 bilhões), e China Southern(US$ 11 bilhões), seguida por Latam (US$ 11 bilhões) e Delta e Lufthansa (US$ 10 bilhões cada uma).
Em 2010, o número de passageiros na América Latina cresce 15,3%, e capacidade das companhias, 9,6%. Para 2011, a demanda adicional de 6,3% será superada pela alta na capacidade de 7,2%.
Globalmente, a Iata quase dobrou as projeções de lucro das aéreas este ano. Deve alcançar US$ 15,1 bilhões, comparado aos US$ 8,9 bilhões estimados antes, graças à expansão de 8,8% no número de passageiros. Mais da metade do lucro vem da Ásia-Pacifico, com US$ 7,7 bilhões. Nos Estados Unidos, o ganho é estimado em US$ 5,1 bilhões, no rastro de corte de capacidade. A decepção é a Europa com lucro de US$ 400 milhões.
Para 2011, o ganho diminui para US$ 9,1 bilhões, mas é bem melhor que a projeção inicial de US$ 5,3 bilhões. A margem operacional deve cair para 1,5% em 2011, longe de cobrir os custos de capital.
O preço do barril ficou estável este ano, em US$ 79, mas a projeção é que alcance US$ 84 no ano que vem. A fatura total de combustível chegará a US$ 254 bilhões. Para as companhias na América Latina esse gasto é estimado em US$ 38 bilhões, devido aos preços 14% mais elevados na região.
Para a Iata, as companhias globalmente só continuaram a funcionar aumentando suas dívidas em US$ 44 bilhões este ano. O endividamento total agora é de US$ 204 bilhões. "O setor está doente", disse Bisignani, antes de anunciar que será substituído no cargo por Tony Tyler, principal executivo da Cathay Pacific, em meados do ano que vem, após dez anos à frente da associação
Link: http://www.valoronline.com.br/impresso/air-china/2441/353309/lucro-na-america-latina-deve-recuar-em-2011
Fonte: Valor Online
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